26.4.06

Dor

O telefone toca...do outro lado da linha a dor é transmitida a cada impulso...digo que já vou, mas a dor não deixa ouvir...JÁ VOU! JÁ VOU!

Estou sozinha e tenho que ir eu...tenho que combater aquela dor...não quero ir...vão por mim...visto-me...sinto o meu coração a bater...PUM PUM...PUM PUM...não tenho tempo de almoçar...não tenho tempo para pensar...VOU...

Batas azuis, batas brancas, batas verdes...não há mais cores??? Não quero saber...para a frente e para trás...alguém grita...para a frente e para trás...a dor persiste...para a frente e para trás...ajuda...AJUDA!

Olhem para mim...que estão a fazer??? Parem de rir...parem de descansar...parem de andar...para a frente e para trás...para a frente e para trás...o tempo passa...a dor está lá...DÓI!!!!!

E eu não posso fazer nada! Ajuda...tardou...para a frente e para trás...batas e mais batas...a dor continua lá!

17.4.06

A Vida Muda


Mais uma Páscoa...mais um almoço com os meu tios preferidos que teimam em mudar a forma de pensar do meu pai (nunca o conseguiram!!)...mais umas gramas que acima de tudo pesam no meu colesterol...mais uma revisão às revistas dos jornais das últimas semanas, que estão sempre meticulosamente guardadas e gastas das leituras de quem já está reformado...mais uma boa conversa com o primo que é como um irmão (talvez noutra vida!!)...enfim, passados tantos anos, o principal da minha vida não mudou!

Engraçado é o facto de passarmos parte da nossa juventude a tentar fugir do que agora é essencial...queríamos ser livres, independentes e não dar explicações a ninguém...os pais eram chatos, os avós antiquados, os primos eram fixes mas traziam sempre atrelados os tios...

A vida realmente muda...tal como a mãe e avó chatas diziam, chegou o dia em que, finalmente, todos eles são o mais importante da minha vida!


5.4.06

Tempo



















Tempo,
s. m. meio indefinido e homogéneo no qual se desenrolam os acontecimentos sucessivos; parte da duração ocupada por acontecimentos;(...)

O que é isso de tempo? Eu pensava que sabia e estava redondamente enganada. O seu excesso fez com que eu nunca o conhecesse verdadeiramente. Na realidade nunca o senti ... nunca o vi!

Hoje sei o que é ter tempo...ou não ter! Vejo-o todos os dias a passar à minha frente e a dizer: "não me apanhas!!" E não é que ele tem razão? Já corri, já esperei pelo melhor momento, já voltei para trás, enfim, nada resultou!

Mas, por outro lado...ele que vá à frente!Não é por isso que fico com mais ou menos tempo, ele é que é o apressado, o stressado, aquele que tem a mania que chega sempre primeiro! Eu lá vou chegando e quem sabe um dia o apanhe...até lá aproveito o que tenho!

3.4.06

De volta...

"Outrora, todos os nossos contos eram imaginativos, eram mitos e lendas, parábolas e fábulas, pois era assim que contávamos uns aos outros histórias sobre nós próprios" (Doris Lessing).

Depois de um grande interregno, maioritariamente devido a uma companheira de longa data chamada preguiça, decidi marcar novamente a minha presença. Não que tenha algo de muito extraordinário para dizer, mas porque a minha rotina diária já pede que eu faça qualquer coisa diferente. Como não é possível fazer uma viagem às Ilhas Maurícias para sofrer uma pequena alergia solar, decidi voltar ao meu blog.

Gostaria de me comprometer a escrever mais regularmente...mas isso seria a mesma coisa que dizer que a partir de amanhã o meu cão deixaria definitivamente de correr atrás do seu próprio rabo, não cavando mais fundo o buraco que já existe no meu jardim.

Tentarei, contudo, ser mais discreta nos meus lapsos temporais...que a imaginação não me falhe!