31.12.13

Ano Novo...Vida como ela é...

2013 não deixa saudades...mas deixa-me a certeza de que a verdade e a honestidade serão sempre os  pilares daquilo que quero ser como pessoa...


...mas ninguém disse o caminho era fácil pois não?

Um Bom 2014!

13.12.13

António Lobo Antunes - 12 de Dezembro de 2013

Descaradamente roubada da Visão desta semana, esta crónica de António Lobo Antunes...porque corta a respiração...porque me avisa da importância do HOJE...porque muda a minha perspectiva dos acontecimentos menos bons da minha vida...e porque merece ficar aqui gravado para não me esquecer...

O último abraço que me dás

Para Luís Costa


O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me

- Abrace-me porque é o último abraço que me dá

durante o abraço

- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.
Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:

- Estou aqui para lutar

e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.
A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido

- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento

porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.

O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:

- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.

Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis.

Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos.


Ler mais: http://visao.sapo.pt/o-ultimo-abraco-que-me-das=f761252#ixzz2nOIT1AW1

E é isto...

I can read

6.12.13

21.11.13

Pensamento do Dia - 24

...o carro foi para arranjar ...no porta luvas estavam várias moedas...roubaram as de 1€...as de menor valor ficaram para recordação... ladrão mal-agradecido!

14.11.13

O Melhor do Meu Dia - 2

...jantar no Japonês muito bem acompanhada...e finalmente ter na minhas mãos a prenda perfeita para a sobrinha mais girly que eu conheço...

13.11.13

O Melhor do Meu Dia - 1

...o almoço...aquele almoço que se repete todas as semanas e que me faz vir para casa de alma aconchegada....

O Desafio da Catarina - O Melhor do Meu Dia

A Catarina desafiou e eu que sou muito bem mandada decidi que esta seria uma boa maneira de arrebitar  o este planeta que anda bem cinzento...

Na realidade, este é o desafio perfeito para um 2013 que se tem revelado, no mínimo, desafiante (na sua maioria não pela positiva)...porque o melhor dos nossos dias pode, por muito simples que seja, nos trazer um outro ânimo...vamos a isso? Alguém se junta?


1.9.13

Pensamento do Dia - 22

Sabes que estás a entrar na terceira idade quando, após meia dúzia de voltas em escorregas de água com a sobrinha, não  te consegues mexer com uma bela dor de pescoço! Radical...muito radical!

17.5.13

I Can Read
É o que ando a fazer....nunca pensei que o final de um Doutoramento me ocupasse tanto...com tão pouco! :)

29.4.13

E qual é um dos teus principais objectivos, Cátia Maria?

Mudar os desgraçados do dois livros que se encontram  plantados (faz muito tempo) ali no lado direito do blog...sem batotas, claro!

Ah....fins de semana...aí vou eu!

Novo fim...novo começo...

I Can Read

E assim, do nada (mais ou menos), a tarefa que me ocupou de forma intensiva os últimos dois anos terminou...continuo a achar que no dia defesa não era bem eu que lá estava, mas sim uma alminha faladora que decidiu encarnar na minha pessoa.

Independentemente deste pequeno pormenor, valeu o esforço. Não porque agora tenho um título (na realidade não passa disso mesmo), mas porque todo este processo me permitiu crescer, me fez definir prioridades (principalmente para o meu futuro, como pessoa e profissional), me tornou um bocadinho mais conhecedora na minha área de intervenção profissional....Foi quase uma caminhada profissional e espiritual que culmina num momento de partilha com quem percebe mais disto que eu e com as pessoas mais importantes da nossa vida...é a porta para um novo começo...ou assim gosto de pensar!

Estou de volta...ao mundo real...e a sensação é boa, muito boa...por isso aguardem-me, sim?

28.2.13

Das desilusões...

A vida é feita delas...e o nosso instinto é muitas vezes altamente insistente em as sinalizar previamente...ainda assim fecha-se os olhos na esperança que seja um erro nosso, um mau dia, ou uma má interpretação da realidade face às nossas próprias vulnerabilidades...pois...muitas vezes não é...e não foi...

É chegado o dia em que o lado positivo deixa de compensar o negativo....é chegado o dia em que percebemos que deixámos de ser nós...que construímos um "Eu" específico (com a melhor das intenções) para manter um falso equilibrio....é chegado o dia em que o ciclo vicioso tem que ser quebrado porque sabemos exactamente o que queremos ser...o que queremos fazer...e como queremos viver.

É chegado o dia... o timing nunca é o melhor...é o que tem de ser...esta é a vida como ela é...e eu estou pronta para vivê-la!